Por que o sucesso profissional “roubou” a nossa libido?
Vamos falar sério aqui, por que será que quanto mais a gente sobe na carreira, mais o nosso desejo parece pedir demissão?
Se você cresceu nos anos 90, 2000 como eu, sabe exatamente do que estou falando. A gente cresceu fazento teste de Revista Capricho e assistindo Xou da Xuxa, ouvindo que o roteiro da vida era quase um “copia e cola”: casar, ter filhos e, quem sabe, uma carreira estável.
Mas o mundo girou rápido demais. Do nada a sala que tinha uma tv do lado de um aparelho telefônico de discar, passou a ter um pc de tela de tubo que discava a meia noite para um chat terra com as pessoas da escola. E também do nada, temos aparelhos celulares que fazem de tudo. Quem viveu sabe que loop foi esse.
Enfim. De repente, a gente se viu em uma era onde as possibilidades são infinitas. A gente pode ser tudo, o tempo todo. E é aí que dá o “bug do milenial” na gente.
O conflito entre o “script” e a realidade.
O fato é que nossa mente ainda está tentando entender essa transição. Saímos de um contexto de poucas opções para um cardápio gigante de metas, cursos e cargos de liderança. A gente tenta abraçar o mundo porque o ambiente diz que a gente consegue. Só que o nosso corpo tem um limite de “combustível”.
A sexualidade é uma área sensível demais. Para o nosso aparelho psíquico, ela é o último lugar a receber, digamos, “investimento de energia” por pate do corpo.
Em uma escala de prioridades, entre “sobreviver à reunião de amanhã” e “sentir prazer”, o seu cérebro vai escolher a sobrevivência todas as vezes.
Eu resumi aqui bem resumido (porque se deixar escrevo um pergaminho tranquilamente) alguns fatores que apagam o nosso fogo:
- O peso de ser a “chefe”: Estudos mostram que liderar exige uma carga mental que impacta diretamente nossa função sexual.
- Burnout (Burnoutinho para os íntimos): Quando o estresse profissional vira rotina, o corpo simplesmente “desliga” o que não considera essencial para você continuar de pé.
- O eixo do estresse: Quando estamos sempre em modo de alerta, produzindo cortisol em excesso, o prazer vira um luxo que o cérebro decide cortar da lista.
A carrasca interna: Aquela voz que diz que você deveria estar sendo “produtiva” até quando está descansando.
A pergunta de milhões é: Como que resolve isso?.
Não vou te dar uma fórmula mágica, porque não acredito nisso e você a essa altura da vida já percebeu que a lua de cristal que te fez sonhar traiu até a Joelma, então sai desse sonho de verão e vem comigo.
Quero dizer que cada uma de nós é um universo. Mas, se o seu problema não for saúde física, algumas mudanças podem te ajudar a achar o caminho de volta:
1º: Escolha onde gastar suas fichas. A gente precisa aprender a dizer alguns “nãos”. Não cabe todos os desejos e todas as tarefas em uma vida só. É preciso realocar sua energia de forma consciente.
2º: Libido ama o “nada”. Lembra como era bom ter tempo ocioso? Pois é, o desejo precisa de espaço e mente relaxada para aparecer. Volte ao básico: coma bem, durma de verdade e se permita não fazer nada sem sentir culpa.
3º: Desligue a cobrança. O prazer exige que você esteja inteira ali. Se sua cabeça está no relatório ou no que o boy vai achar, você não está sentindo nada. É preciso calar aquela vozinha que diz que você “deveria estar fazendo outra coisa”.
No fim das contas, as possibilidades hoje podem ser infinitas, mas a nossa saúde não é. Escolha o que te faz bem, organize sua rotina e não esqueça: uma casa sem fundação não para de pé. Voltar ao simples que é onde a gente reina. Sem IA e com muita presença de verdade.
Se você sente que a carga está pesada demais e não consegue resolver sozinha, não demore para buscar ajuda. Ter sucesso e ter prazer não precisam ser coisas excludentes.
Um abraço e até o próximo texto!
(Beijinho, beijinho, tchau tchau kkkkk)
Referências
- Liderança Feminina e Sexualidade: MAIA, Renata Attili; SILVEIRA, Giselane, et al. Sexual function in female business leaders: a cross-sectional study. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 70, n. 12, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1806-9282.20241293.
- Burnout e Libido: SARAFIS, Pavlos et al. The impact of burnout and occupational stress on sexual function in both male and female individuals: a cross-sectional study. International Journal of Impotence Research, v. 31, 2019. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41443-019-0170-7.
- Eixo HPA (Estresse) e Desejo: APOSTOLOPOULOU, Aikaterini. The impact of occupational stress on female sexual function. Academia.edu, 2019. Disponível em: https://www.academia.edu/102812748.
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Psicóloga (crp 16/4664) da linha cognitiva comportamental com um pézinho nas contextuais de terceira geração e Sexóloga. Atua em consultório (individual e casal), atendimentos online, cursos, palestras e eventos.
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