Vício em Pornografia: Como Funciona o Tratamento?

Eu sempre me deparo com essa questão no consultório e meu intuito com este texto é simplificar para você um assunto super denso. E, como em toda simplificação, algumas coisas ficarão aparentemente rasas.

Então, já te peço: se ficar alguma dúvida, pode me mandar uma mensagem! Estou presente nas principais redes sociais.

Afinal, Pornografia é Considerada um Vício?

Sobre o “vício” em conteúdo adulto, a verdade é que o termo não é aceito para efeito de tratamento de saúde. Ou seja: a pornografia não é classificada como um vício pelas ciências da saúde. E é essa ciência quem valida e cria os protocolos de tratamento aprovados.

Então, como eu — sendo uma psicóloga regulamentada — poderia tratar isso?

O primeiro passo é tirar a “capa” de vício. Tratamentos de vícios tradicionais possuem um kit de sintomas e tratamentos já validados. Para a pornografia, o buraco é mais embaixo.

Entendendo a Relação com o Conteúdo Adulto

Cada paciente apresenta uma relação muito variada com o uso de conteúdo adulto:

  • Compulsão: Alguns apresentam um comportamento compulsivo (onde já poderia entrar um tratamento validado e adaptado).
  • Alívio de Ansiedade: Outros usam a pornografia para cumprir a função de aliviar o excesso de ansiedade do dia a dia.
  • Ciclo de Culpa: Alguns recorrem ao uso por se sentirem muito “errados” em desejar demais, entrando em um uso desenfreado até sentirem que perderam o controle.
  • Hábito Prático: E há os que começaram apenas por curiosidade e, com o tempo, isso virou um hábito quase que religioso.

Eu poderia citar muitos casos nesses meus 11 anos atendendo a sexualidade humana. O que posso afirmar com segurança é que a pornografia é um preenchedor de lacunas muito versátil na vida das pessoas — e é exatamente por isso que ela é tão “demonizada”.

💡 Outro ponto importante: O que contribui para essa demonização é o fato de o sexo ainda ser um tabu quase inquebrável na sociedade e, infelizmente, usado muitas vezes para controle de massas (mas esse é um papo para outro momento, caso você queira).

Como Funciona o Tratamento na Prática?

O meu papel no consultório é entender qual buraco esse “vício” está tampando e, junto com o paciente, encontrar uma solução real.

A questão que eu acredito ser a mais “pesada” é que mudanças emocionais levam tempo. E elas precisam levar, caso contrário, não passam de um mero impulso passageiro.

O paciente que consegue vencer essa barreira junto com o seu psicólogo desfruta de uma sexualidade plena e livre de tabus — exatamente como deveria ser para todos. Mas a vida, como bem sabemos, não é um morango. 🟡

Quando é a Hora de Buscar Ajuda?

Se você sente que sofre com esse hábito, não deixe de procurar ajuda com um psicólogo especializado.

Além disso, se esse comportamento estiver fortemente associado ao ato de autoamar-se (a famosa masturbação), é provável que o seu corpo tenha se acostumado com um padrão de estímulo que o sexo natural não vai conseguir atingir.

Isso pode gerar alguns problemas específicos na sua vida íntima (posso falar sobre eles também no blog, basta me pedir!) e, nesses casos, faz-se necessária também uma avaliação com um fisioterapeuta pélvico.

Não Fique Refém: Procure Suporte

Não se preocupe, pois tudo isso a gente conversa com calma e acolhimento na terapia. Não fique refém desse ciclo e não jogue a sua vida íntima fora. Procure ajuda especializada.

Até o próximo texto! 👋

Por que o sucesso profissional “roubou” a nossa libido?

Vamos falar sério aqui, por que será que quanto mais a gente sobe na carreira, mais o nosso desejo parece pedir demissão?

Se você cresceu nos anos 90, 2000 como eu, sabe exatamente do que estou falando. A gente cresceu fazento teste de Revista Capricho e assistindo Xou da Xuxa, ouvindo que o roteiro da vida era quase um “copia e cola”: casar, ter filhos e, quem sabe, uma carreira estável.

Mas o mundo girou rápido demais. Do nada a sala que tinha uma tv do lado de um aparelho telefônico de discar, passou a ter um pc de tela de tubo que discava a meia noite para um chat terra com as pessoas da escola. E também do nada, temos aparelhos celulares que fazem de tudo. Quem viveu sabe que loop foi esse.

Enfim. De repente, a gente se viu em uma era onde as possibilidades são infinitas. A gente pode ser tudo, o tempo todo. E é aí que dá o “bug do milenial” na gente.

O conflito entre o “script” e a realidade.

O fato é que nossa mente ainda está tentando entender essa transição. Saímos de um contexto de poucas opções para um cardápio gigante de metas, cursos e cargos de liderança. A gente tenta abraçar o mundo porque o ambiente diz que a gente consegue. Só que o nosso corpo tem um limite de “combustível”.

A sexualidade é uma área sensível demais. Para o nosso aparelho psíquico, ela é o último lugar a receber, digamos, “investimento de energia” por pate do corpo.

Em uma escala de prioridades, entre “sobreviver à reunião de amanhã” e “sentir prazer”, o seu cérebro vai escolher a sobrevivência todas as vezes.

Eu resumi aqui bem resumido (porque se deixar escrevo um pergaminho tranquilamente) alguns fatores que apagam o nosso fogo:
  • O peso de ser a “chefe”: Estudos mostram que liderar exige uma carga mental que impacta diretamente nossa função sexual.
  • Burnout (Burnoutinho para os íntimos): Quando o estresse profissional vira rotina, o corpo simplesmente “desliga” o que não considera essencial para você continuar de pé.
  • O eixo do estresse: Quando estamos sempre em modo de alerta, produzindo cortisol em excesso, o prazer vira um luxo que o cérebro decide cortar da lista.
    A carrasca interna: Aquela voz que diz que você deveria estar sendo “produtiva” até quando está descansando.
A pergunta de milhões é: Como que resolve isso?.

Não vou te dar uma fórmula mágica, porque não acredito nisso e você a essa altura da vida já percebeu que a lua de cristal que te fez sonhar traiu até a Joelma, então sai desse sonho de verão e vem comigo.

Quero dizer que cada uma de nós é um universo. Mas, se o seu problema não for saúde física, algumas mudanças podem te ajudar a achar o caminho de volta:

1º: Escolha onde gastar suas fichas. A gente precisa aprender a dizer alguns “nãos”. Não cabe todos os desejos e todas as tarefas em uma vida só. É preciso realocar sua energia de forma consciente.
2º: Libido ama o “nada”. Lembra como era bom ter tempo ocioso? Pois é, o desejo precisa de espaço e mente relaxada para aparecer. Volte ao básico: coma bem, durma de verdade e se permita não fazer nada sem sentir culpa.
3º: Desligue a cobrança. O prazer exige que você esteja inteira ali. Se sua cabeça está no relatório ou no que o boy vai achar, você não está sentindo nada. É preciso calar aquela vozinha que diz que você “deveria estar fazendo outra coisa”.

No fim das contas, as possibilidades hoje podem ser infinitas, mas a nossa saúde não é. Escolha o que te faz bem, organize sua rotina e não esqueça: uma casa sem fundação não para de pé. Voltar ao simples que é onde a gente reina. Sem IA e com muita presença de verdade.

Se você sente que a carga está pesada demais e não consegue resolver sozinha, não demore para buscar ajuda. Ter sucesso e ter prazer não precisam ser coisas excludentes.

Um abraço e até o próximo texto!
(Beijinho, beijinho, tchau tchau kkkkk)

Referências

  • Liderança Feminina e Sexualidade: MAIA, Renata Attili; SILVEIRA, Giselane, et al. Sexual function in female business leaders: a cross-sectional study. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 70, n. 12, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1806-9282.20241293.
  • Burnout e Libido: SARAFIS, Pavlos et al. The impact of burnout and occupational stress on sexual function in both male and female individuals: a cross-sectional study. International Journal of Impotence Research, v. 31, 2019. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41443-019-0170-7.
  • Eixo HPA (Estresse) e Desejo: APOSTOLOPOULOU, Aikaterini. The impact of occupational stress on female sexual function. Academia.edu, 2019. Disponível em: https://www.academia.edu/102812748.

 

 

SEO: “Por que mulheres de sucesso perdem a libido?”
“Como o estresse no trabalho afeta o desejo?”
“Sinais de burnout na vida sexual”
“Falta de desejo em mulheres líderes”

22 julho
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Como resolver diferenças sexuais entre casais?

Como resolver diferenças sexuais entre casais?

Existem casais que apesar de não terem nenhuma disfunção sexual, possuem entraves que acabam atrapalhando a intimidade dos dois. E infelizmente é muito comum em algum momento ou mesmo no início da relação que o casal se depare com esse percalço.

Por que as diferenças aparecem?

Sabe aquela música: “Nada do que foi será de novo do jeito que já fui um dia”? Ela é um retrato que deixamos de considerar ao longo da vida.

As diferenças podem aparecer somente pelo motivo do tempo ter passado.

Por mais que o casal tenha tomado “cuidado”, tenha investido na relação, as discrepâncias podem chegar. Mas não é só o tempo que alimenta os desentendimentos sexuais.

Alguns fatores que podem desencadear conflitos sexuais:
  • A passagem do tempo, como disse;
  • Mudança na forma de pensar;
  • Níveis de Libido diferentes;
  • Falta de Sintonia fora da cama;
  • Questões de saúde;
Como resolver as diferenças sexuais?

Não pretendo com este texto te dar uma solução definitiva, pois cada pessoa, cada casal é um universo diferente. Contudo,  para casos que não envolvam saúde, pode sim, solucionar questões mais simples ou no mínimo te dar uma luz para prosseguir no cuidado com sua sexualidade.

  • 1º: Invista em comunicação aberta. Fale de forma honesta, em hora e local apropriado (nunca na hora da cama), a fim de buscarem os pontos a serem melhorados;
  • 2º: Faça compromissos palpáveis e atingíveis. Depois do diálogo, façam combinados onde cada um contribua com uma parte na mudança. Esses combinados devem ser atingíveis e palpáveis, jamais subjetivos.
  • 3º: Sejam flexíveis. Boa parte dos conflitos está nesta palavra: flexibilidade. Aceitar o outro como ele é, entender que nem tudo é do nosso jeito, vai render muito mais intimidade e prazer para todos os envolvidos.

Para casos que envolvam questões de saúde, o recomendável é que os dois se engagem no tratamento. Um apoiando o outro com  orientação da equipe de saúde, pois cada patologia têm suas particularidades e elas devem ser respeitadas antes de qualquer questão no relacionamento.

Não esqueça que independente do caso, a forma com que é o impasse é encarado pelo casal faz toda diferença no resultado e em como vai ser o curso da solução. Portanto, seja o mais leve possível.

No vídeo abaixo eu fiz uma explicação mais completa sobre cada ponto, caso tenha interesse em aprofundar o assunto para aplicar no seu relacionamento.

E caso você sinta que nao consegue, não demore para procurar ajuda, seja individual ou em casal. Vale muito a pena ter uma vida saudável e prazerosa.

Um abraço e até o próximo texto.

30 outubro
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8 Hábitos de Autoconhecimento para começar hoje

Por Marcelle Paganini (@marcellepaganini)

A jornada do autoconhecimento não é fácil, mas é extremamente recompensadora. Vamos dar uma olhada em algumas práticas que você pode integrar em sua vida.

Autorreflexão

Uma prática diária de reparar nas próprias atitudes e comportamentos é o primeiro passo para o autoconhecimento. Para ser mais efetivo, escreva em um diário, de papel ou digital, e de tempos em tempos revise. Você vai se surpreender o quanto é capaz de se perceber e mudar sua visão de si através da observação. Consequentemente, muita coisa automática que você não aprova, poderão deixar de acontecer somente por torná-los palpáveis.

Limites entre áreas

A vida profissional invade muito a nossa vida pessoal, principalmente quando temos tudo no mesmo celular. É importante delimitar tempo e espaço para cada área da vida, caso contrário, o que apresentar mais urgência irá consumir mais. E convenhamos, o trabalho consegue ocupar facilmente as outras áreas. Delimitando você consegue explorar sua identidade dentro de vários contextos.

Ter Planos

Já dizia o coelho de Alice: para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve. Muitas pessoas não fazem planos por medo de se frustrarem. Mas acontece que um plano ativa nossa auto observação e nos dá um norte nos momentos de piloto automático. Por mais que no meio do caminho os objetivos possam mudar, os planos serão sempre a nossa maior escola de autoconhecimento. Pois é tentando que se aprende.

Diálogo Aberto

Comece a falar, com as pessoas próximas, sobre o que deseja delas sem medo do que vão pensar. Por mais que a princípio você possa sentir inadequação. A mente não lida bem com incoerências, então aquilo que você fala deve ser o que está na sua mente (ou como dizem, no coração). Não estou falando de ser um mala exigente e inconsequente, mas de ser honesto e de saber expressar seu verdadeiro eu, com você e com os outros.

Atenção Plena

Um dos princípios do mindfulness, uma ferramenta comportamental, é a atenção plena. Não há nada que atrapalhe mais o autoconhecimento do que lotar o cérebro de referências e comparações picotadas. Faça uma coisa por vez sempre. Dedicando foco total. Quando estiver conversando com alguém, apenas converse. Quando estiver fazendo autorreflexão, apenas faça isso. Não é fácil, mas não focar impede que você se conheça.

Leia

A leitura é um mergulho na sua mente. E não precisa se cobrar em ler apenas livros técnicos ou de conteúdo. Um romance leve também faz o mesmo efeito. Quando lemos, nossa mente se concentra em dar sentido e criar os cenários de acordo com o que temos de material disponível dentro dela. E olhar para essas referências, lindando com seu pensamento extremamente imerso na leitura, produz um autoconhecimento fenomenal.

Ouça críticas

Temos um medo absurdo de sermos criticados. E isso é reflexo da nossa cultura imediatista e superficial. Como você não quer ser “igual que nem” todo mundo, mude sua percepção sobre isso. Ao receber uma crítica, agradeça e use como material de auto análise, até em terapia. Alguma coisa ali vai te sinalizar aspectos de do seu eu que você nem sonhava. A partir daí você consegue se entender melhor, internalizar o que cabe e jogar fora o que não serve.

Fique Sozinha

Reservar um tempo para fazer algo consigo mesmo é assustador para muitas pessoas. Mas é impossível o autoconhecimento sem estar pelo menos um tempinho a sós consigo mesmo. Comece estando um tempo no seu quarto, depois amplie. Normalize ir a uma praia, praça, parque, shopping sozinho. Quem sabe uma viagem. Seus pensamentos irão dizer: oi sumida! Como é bom ter você aqui conosco.

Se tudo isso é muito difícil para você fazer sem ajuda, considere fazer terapia. A base de qualquer processo psicoterapêutico é o autoconhecimento. Quem se conhece vive substancialmente melhor do que quem apenas reage à vida. Se cuide!

Por Marcelle Paganini (@marcellepaganini)

23 fevereiro
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Emoções: para lidar com elas, permita-se senti-las

Um aspecto muito curioso sobre as emoções é que quanto mais desejamos não senti-las, mais elas afloram, mais elas querem sair. Te explico.

Já reparou que somos seres que vivemos de ciclos? O sono é um bom exemplo. Ficamos um tempo acordados, a energia do corpo vai acabando e dormimos. Neste momento de sono, o cérebro inicia uma espécie de faxina, com bastante água (líquor) a fim de consolidar o aprendizado do dia e renovar as baterias para o dia seguinte. Não é à toa que se chama ciclo circadiano.

Qualquer outra questão na nossa vida também precisa de ciclos. Em proporções às vezes menores, outras maiores, mas pode reparar, precisamos dos ciclos. E, na área emocional, não é diferente. Uma emoção quando disparada pela nossa mente, é uma resposta a alguma coisa que está acontecendo ou que, pelo menos, achamos que esteja acontecendo. Essa emoção precisa achar um lugar para cumprir o seu ciclo.

Vamos usar como exemplo a tristeza.

Digamos que você passou por uma situação que te provocou tristeza no trabalho. Tal situação foi o gatilho externo e a resposta emocional foi o sentimento de tristeza (resposta interna). O curso natural dela é ser expressada de alguma forma, seja chorando, ficando em quietude, escrevendo um e-mail dizendo como se sente e por aí vai. O tempo que leva para a emoção ser dissipada depende do tamanho do tamanho do impacto que causou e como causou. Terminado o ciclo, ela segue seu caminho de onde veio: para fora.

Agora digamos que você não acha legal ficar triste por esse tipo de coisa. Você pode criar mecanismos de fingimento, pode tentar “engolir” o que sente, dentre outras estratégias. Assim, você estará quebrando o ciclo da emoção. Neste cenário, quanto mais o tempo passa, mais aquilo ali cresce, inflama, apodrece e toma proporções imensas até conseguir sair. Mas neste caso, a questão já tomou uma forma tão estranha, que  você não sabe mais de onde veio e nem para onde vai, aumentando as chances de um descontrole.

Claro que você pode esperar chegar em um lugar ou estar com pessoas que vão te entender , para se permitir sentir e expressar o sentimento. Mas pense que se você guardar a emoção por considerá-la sem importância, com o tempo, o que era apenas algumas horas no colo de alguém,  pode virar muitas lágrimas “sem motivo”, por dias a fio ou até se transformar em sintomas patológicos: a famosa somatização.

Lidar com emoções não é tarefa tão simples como estou ilustrando, mas o princípio que as rege, de forma resumida, é assim. E você compreendendo isso se torna capaz de administrar qualquer emoção de forma muito fluida e realista.

Toda emoção merece atenção!

Estamos vivendo micro-ciclos o tempo todo e aquele que não é fechado, é contornado, e contornos podem não te levar a lugar nenhum. Já tentou contornar um local com várias vias fechadas? No caso das emoções você nunca chega no destino, está sempre dando voltas. E não pense que isso só acontece com emoções consideradas ‘ruins’  pelo senso comum. As emoções queridinhas, como alegria, paz, euforia devem também receber a dádiva do fechamento de seus ciclos. Está feliz? Expresse!

A emoção é o que nos faz humanos. Compreender e conviver com elas de modo saudável, torna a vida muito mais leve. Aliás, saúde mental é a maior riqueza que você pode dar  a você e para quem você ama.

Emoção é o que nos faz humanos

Qual a forma mais saudável de dar vazão às emoções?

Perdoando!  É se punir menos e e ser mais compreensivo consigo. E isso é diferente de ter indisciplina, de ser despreocupado, pelo contrário, te torna mais inteligente,  emocionalmente falando. É pegar leve com você, por mais que tenham te ensinado ou exigido o contrário.

Dar vazão é diferente de agir por impulso ou largar a consciência de lado, longe disso. Não devemos confiar cem por cento nas emoções. Elas nos dão indícios, elas querem cumprir o ciclo, mas quem decide e age somos nós. Por isso saúde emocional produz saúde emocional e o contrário também (mais um ciclo aqui ó)!

Por essa razão,  quando uma emoção que você, na sua consciência, considera indesejável, aparecer, experimenta olhar para ela. Não empurra e nem tente não sentir pois, nesse caso, ela vai dar uma volta e reaparecer. Veja para onde ela quer ir, o que ela quer dizer, onde precisa de amparo, de conserto ou de acolhimento. Tenho certeza que você vai iniciar um novo relacionamento com você e seus sentimentos.

Vou fechar esse texto com a frase de um quadrinho aqui do meu consultório: “Amar a si próprio é o início de um romance para a vida toda”. Não conheço o autor, mas ele foi perfeito na colocação. Quem se ama, se aceita! Bora aceitar seus sentimentos e fazer cumprir os ciclos?

Obrigada e até o próximo texto.

 

9 fevereiro
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Será que as borboletas no estômago estão morrendo?

Aquele frio na barriga a cada mensagem, as borboletas no estômago a cada beijo… O início de um relacionamento é sempre muito apreciado.

Um boom de dopamina pelo que aquele relacionamento poderá ser,  explica bem o misto de sensações que temos ao começar a se relacionar com alguém apaixonadamente.

O senso comum prega que isso é só no começo mas os casais apaixonados insistem que vai ser para a vida toda. O fato é que esse frenesi todo reduz ao longo do tempo pois, com a convivência, as coisas vão se tornando menos “emocionantes” e mais racionais.

Mas o que faz alguns casais continuarem juntos e se declararem apaixonados  e outros seguirem rumos separadamente? Será que alguns casais matam as borboletas do estômago?

Na verdade, um erro comum é apostar nas borboletas para medir uma coisa que não é mensurável através delas. O que chamamos de borboletinhas, nada mais é do que um mecanismo da natureza para juntar duas pessoas (mesmo cientificamente ainda não sendo um consenso do como e do porquê disso acontecer) . Do mesmo jeito que uma semente cai no chão e vira outra planta, a paixão faz dois seres humanos quererem copular. Isso falando de mecanismo da natureza e não de questões sociais que salpicamos ao longo do tempo. Isso é assunto para outro papo.

O que sabemos é que os efeitos de algumas paixões são análogos a vícios ou até intoxicação, então, é esperado que as borboletas parem de bater asas feito umas desvairadas ao longo do relacionamento. Elas amadurecem e começam a ficar contentes e seguras. Em uma relação saudável chamamos de amor, mas pode ter o nome que o casal preferir, vou chamar de amor para simplificar a compreensão do texto.

Saber compreender que a quietude das borboletas, requer maturidade

Saber compreender que a quietude das borboletas, ou seja, a ausência daquele sentimento do início, requer maturidade e, não necessariamente, significa uma falta de amor. Se a pessoa não for emocionalmente saudável ela pode estar diante do que comumente chamamos de “amor da sua vida”, mas não vai conseguir seguir após a intoxicação da paixão passar. Simplesmente por estar com foco em algo que é uma fase.

Não quer dizer que uma relação madura e amorosa é chata e sem tesão. Longe disso. Mas ela se torna uma construção mútua e não mais um simples sentir e viver provocado pela nossa natureza. Aí entra a nossa inteligência, valores e tudo mais que acreditamos.

Uma armadilha comum das borboletas é fazer a gente acreditar que estamos diante da pessoa que vai ser aquela que esperamos que seja e quando elas se acalmam, não era nada daquilo. É por isso que muitos se tornam prisioneiros do passado ou até de uma ilusão criada por eles mesmos (parafraseando Marília Mendonça: me apaixonei pelo que eu inventei de você).

Falo a todos meus pacientes: relacionamento é para os fortes. Devemos curtir e saborear a temporada das borboletas no estômago e depois que ela passar, devemos ter maturidade e sensatez para enxergar a pessoa que está ali conosco. Sermos honestos a ponto de saber se é válido ou não seguir aquele caminho. Temos borboletas amadurecidas ou elas foram apenas brincalhonas com a gente?

Só com saúde e preparo emocional para sabermos. Portanto, cuide da sua mente antes de querer trocar borboletas por aí.

Um abraço!

Referências:

Bento, V.E. (2006). Toxin and addiction compared to passion and toxicomania: etymology and psychoanalysis. – https://doi.org/10.1590/S0103-65642006000100011

Buss, D.B. (1994). The evolution of desire: Strategies of human mating. New York: Basic Books.

Buss, D. M. (2000). Os perigos da paixão: Por que o ciúme é tão necessário quanto o amor e o sexo. (M. Campello, Trad.) Rio de Janeiro: Objetiva.

Meyer, M. (1994). O filósofo e as paixões. Esboço de uma história da natureza humana . Porto, Portugal: Asa.

26 janeiro
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6 exemplos de como melhorar a sua vida sexual

A vida sexual perpassa o autoconhecimento corporal, que abordei no texto anterior deste blog. Se você não leu ainda, recomendo fortemente a leitura, ele é bem curtinho e é o ponto de partida para o assunto de hoje que é sobre práticas que podem ajudar a melhorar a sua vida sexual. Aqui vão alguns exemplos de como fazer isso.

1- Estilo de vida com certeza é o pilar principal de uma vida sexual satisfatória.

Veja que usei a palavra pilar. Pilar é o que segura, sustenta. Sem um bom estilo de vida, provavelmente você vai achar que tudo que vou citar aqui não funciona. Então considere um bom pano de fundo para aplicação de melhorias. Saúde física entra no pacote também.

2- Saúde emocional em dia.

Sem saúde emocional não conseguimos viver uma boa vida sexual, mesmo que o ato sexual seja sem envolvimento. Boa parte da libido vem das emoções e a sustentação do ciclo de resposta sexual também tem a participação das emoções.

3 – Educação sexual de qualidade.

Não basta saber movimentar quadril e penetrar. Somos seres inteligentes que compartilha conhecimento e,graças a essa habilidade, evoluímos. Portanto invista em entender sobre sexo real, doenças, aspectos fisiológicos envolvidos e principalmente, não use pornografia como referência.

4 – Se tiver parceria fixa, cultive um bom diálogo.

No relacionamento não há como desvincular o sexo do bom andamento da relação. Então o envolvimento de vocês fora da cama vai ser decisivo no momento de intimidade. A comunicação sincera e assertiva é o que sustenta um bom relacionamento.

5 – Invista em novidade, mas ame o seu dia a dia.

Novidade ajuda muito na libido. Mas curtir seu dia a dia, seja se relacionando ou não, faz com que você veja beleza e desejo no que você já tem. Um bom exercício é a gratidão ‘não tóxica’ e verdadeira.

As novidades devem ser experimentadas pelo menos mentalmente antes de serem implantadas. Não vale fazer o que os outros fazem, precisa ter sentido para sua individualidade.

6 – Em casos complexos, procure ajuda profissional.

Disfunções sexuais apesar de pouco difundidas, possuem tratamento clínico. Psicólogos da área da sexualidade, fisioterapeutas pélvicos e da sexualidade e médicos, são bons exemplos de qual profissional procurar para começar a investigar.

Viver uma vida sexual saudável não é só questão de prazer, é questão de saúde geral. Por isso, invista em você!

Ficou com alguma dúvida sobre esse tema? Deixe aqui nos comentários que te respondo.

vida sexual

19 janeiro
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autoconhecimento corporal

Autoconhecimento corporal: você já ouviu falar?

Que eu falo de autoconhecimento o tempo todo, não é novidade para ninguém nas minhas redes! No geral falo no sentido emocional, no subjetivo mais profundo. Porém, dentro do autoconhecimento autêntico e completo está o autoconhecimento corporal também. Ele perpassa a sua consciência corporal, que tem a ver com saber dominar os movimentos, o alcance, a força, e vai até aos pontos de prazer e sensibilidade.

Pode parecer estranho, mas muita gente passa pela vida ignorando o autoconhecimento corporal. Estas pessoas geralmente experimentam a vulnerabilidade na saúde, afinal como falar com o médico o que sinto se não entendo meu corpo? E também vivem o prazer sexual de modo parcial, e até passivo, colocando no outro a responsabilidade pela própria satisfação.

Como saber que me conheço?

Quando nos conhecemos simplesmente sabemos. Mas alguns bons indícios reforçam isso, como saber falar os ‘nãos’ e se colocar em poucas ou nenhumas situações desrespeitosas. No sentido sexual, quem se conhece bem sabe o que pedir e o que fazer na hora H para ativar seus pontos, chegando a orgasmos cada vez mais intensos e com qualidade.

Fisicamente falando, traz muito mais benefícios sexuais inclusive. Afinal, quem se conhece consegue identificar os primeiros sinais de algum problema.

Como desenvolver o autoconhecimento corporal?

A melhor coisa, sem dúvidas, é você praticar alguma atividade física. Você ganha em saúde, em consciência corporal, em autoconhecimento e de “brinde” benefícios sexuais.

Quem pratica exercícios físicos regularmente consegue extrair o melhor do prazer que o corpo pode oferecer. Porque uma pessoa sedentária não transa direito, a libido não flui, o corpo não aguenta as intensidades e nem reage bem emocionalmente. E quando passamos a nos movimentar o corpo age melhor, igual ofuncionamento de uma máquina com as engrenagens lubrificadas e com a manutenção em dia.

Outra atividade prática é a auto observação. Preste atenção no que sente enquanto estiver na relação sexual com alguém. Os pontos de maior prazer te dão pistas de onde e como começar a explorar mais.

Você pode acrescentar, se isso não for um problema nos seus valores, o auto toque. Se tocar, não só no sentido de masturbação, mas de exploração do corpo mesmo. Onde é mais alto, mais baixo, cor dos órgãos, inclusive os mais escondidos como vagina, ânus (use um espelho) e outros.

A melhor intimidade é sempre com nós mesmos. Estar de bem consigo é sinônimo de bem-estar geral, de prazer. Não conhecer seu próprio corpo é como ter uma ferrari e esperar que outras pessoas a dirijam do jeito que você gosta. Não tem como. Explore sua máquina! Ela é a única coisa que você tem de concreto nessa vida.

autoconhecimento corporal

12 janeiro
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Vício em pornografia *: como identificar e tratar.

Vício, na origem da palavra, engloba tudo aquilo que é nocivo e mesmo assim é repetido de forma cíclica. No ciclo vicioso a coisa flui como uma roda gigante, uma coisa levando a outra, por exemplo o vício em cigarro. No ciclo vicioso do cigarro a pessoa fuma, se sente bem, passa algum tempo e sente necessidade de se sentir bem de novo e acende mais um. Outras coisas desencadeiam o comportamento de fumar, como stress e tédio, mas por trás do comportamento de fumar está sempre o desejo de “se sentir bem”. Pessoas viciadas perdem a autonomia sobre o desejo e por isso a sensação do automático. É o tal do: “quando eu vi, já tinha fumado”. Mas e o que isso tem a ver com vício em pornografia? 

O buraco é mais embaixo!

O vício em pornografia tem pormenores que o tornam mais difícil de prevenir, identificar e tratar. Primordialmente por conta do tema sexo ser tabu, ser tema velado e escondido pela sociedade no geral, tornando o acesso à educação sexual escasso e polêmico. E sem educação sexual, as pessoas, principalmente crianças e adolescentes, ficam à própria sorte com sua sexualidade. Diferente do cigarro, que existem inúmeras campanhas e informações que, apesar de ter reduzido o índice de fumantes e aumentado significativamente o número de pessoas buscando por tratamento (Pesquisa da Vigitel em 2021), mesmo assim algumas pessoas ainda se viciam.

Portanto, como vamos orientar sobre os malefícios de um tabu desse tamanho? Como vamos dar oportunidade para as pessoas solicitarem um tratamento? A resposta é: por “trabalho de formiguinha” como esse aqui. Provavelmente por isso que em consultório, a maioria dos casos de vícios em material pornográfico chegam quando os danos já estão extremamente altos.

Isso sem mencionar as condições e os motivos financeiros das produções pornográficas, pois não vou me estender.

Parecido com o cigarro, nosso exemplo de hoje, a exposição à pornografia gera prazer. Em 2023, num cenário pós-pandêmico e com acesso mais facilitado a esses materiais, acredito que o número seja maior ainda.

E como o vício em pornografia pode afetar o relacionamento?

Além da pessoa que tem vício em pornografia perder a autonomia a respeito da utilização, precisando desse estímulo para poder se excitar, principalmente na masturbação, a médio e longo prazo, isso pode trazer vários problemas ao relacionamento e à vida sexual.

Correlacionando com o cigarro, que pode acarretar várias doenças pulmonares, respiratórias e cardíacas, os efeitos colaterais da pornografia vão desde a insatisfação com o sexo da vida real, insatisfação com a aparência física da parceria, desvalorização do afeto na relação sexual, comprometimento da confiança, até um descontentamento generalizado com o relacionamento. Tudo depende de como esse vício se instalou e de qual espaço o sexo ocupa  nessa relação.

Também podemos observar efeitos psicológicos significativos, como aumento da agressividade (a pornografia é muito violenta, mesmo quando não mostra violência), ansiedade exacerbada, sintomas depressivos, dificuldade de tomada de decisões, desequilíbrio emocional, perda de interesse por estudos / trabalho, dentre outros.

O cérebro, simplesmente, não lida bem com vícios!

Mas como identificar se você está viciado em pornografia?

Alguns fatores podem dar indícios de que existe a possibilidade de um vício em pornografia instaurado. E ele pode ser leve, moderado ou grave dependendo do nível de danos que vem trazendo para a vida da pessoa. Vou citar alguns mais comuns:

  • Não consegue se masturbar, iniciar um ato ou manter excitação sem a presença de pornografia;
  • Com o tempo o sexo no relacionamento ficou sem graça;
  • Precisa cada vez mais de material diferente para se excitar, às vezes se assusta com o que assiste depois que termina a excitação;
  • Tem exigido da parceria algumas coisas que nunca foram interesse do casal;
  • Faz uso, pelo menos, semanalmente;
  • Às vezes assiste algo que recebeu no celular e quando percebe está em excitação ou se masturbando;
  • Precisa sair do convívio (trabalho, festas, etc.) para se masturbar, após ver algum material no celular de alguém ou sem querer;
  • Tem demorado mais para ter orgasmo na relação real;
  • Tem muito material salvo e não consegue se desfazer da maioria;
  • A parceira tem reclamado de um esfriamento ou distanciamento sexual;

Como tratar o vício em pornografia?

O melhor tratamento que existe para qualquer vício é o multidisciplinar. Por se tratar de um tema extremamente pouco difundido, não há um tratamento específico no SUS, inclusive a maioria dos planos de saúde ainda não dá a devida atenção à saúde sexual neste sentido. Porém, o serviço de psicologia, urologia, ginecologia e fisioterapia pélvica em conjunto, são o “padrão ouro” de tratamento no momento. Sugiro começar pelo profissional de psicologia que seja especializado em sexualidade para uma avaliação e início do contato com os outros profissionais. Para casos leves, alguns pacientes conseguem recuperar autonomia apenas com contato zero ou retirada gradativa do estímulo.

Vejo muitos profissionais, desinformados infelizmente, reproduzirem o discurso de que usar a pornografia como fator de excitação para o casal é algo benéfico. Eu inclusive no início da minha prática, antes de buscar evidências, reproduzi esse discurso.

Pornografia é como álcool na gestação: não há evidências de quantidade segura, porém existem muitas evidências dos malefícios.

No fim das contas, assim como o cigarro, a decisão inicial é nossa. As decisões seguintes podem não ser.

Quebre as correntes do vício em pornografia.

Fontes:

Donnerstein, E., & Linz, D. (1986) The question of pornography. Psychology Today

Genuis, M., Violato, C., & Paolucci, E. (1998). The effects of pornography on attitudes and behaviours in sexual and intimate relationships; National Foundation for Family Research and Education, Calgary

Gray, S. (1982). Exposure to pornography and aggression toward women: the case of the angry male.

The development of symptoms of tobacco dependence in youths: 30-month follow-up data from the DANDY study. Joseph R. DiFranza, Judith A. Savageau, Kenneth Fletcher, Judith K. Ockene, Nancy A. Rigotti, Ann D. McNeill, Mardia Coleman e Constance Wood, em Tobacco Control, vol. 11, no 3.

Zillmann, D., & Bryant, J. (1982). Pornography, sexual callousness, and the trivialization of rape. Journal of Communication

 

*Pornografia aqui engloba material de sexo explícito: fotos e filmes. Material erótico / não explícito como livros, filmes com teor sexual não entram nesta categoria.

5 janeiro
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Confiança no relacionamento: quanto custa?

Se tem um tema que permeia as terapias de casal, principalmente as de sexualidade, é o de traição. E não somente das que já ocorreram mas das que podem porventura ocorrer. Além de ser  a principal fonte de inseguranças e brigas nos relacionamentos, afeta diretamente a confiança na relação.

Muitas vezes, a traição é a ponta feiosa do iceberg.

Acontece que, ao longo de um relacionamento saudável, alimenta-se a segurança mútua à medida que nos conhecemos e optamos por confiar na pessoa amada. Em um curso saudável o ciúme não afeta, ou até parece não estar presente. Os laços formados se tornam cada vez mais fortes e a pessoa passa a fazer parte do desenho da vida do outro. Tudo isso é como se fossem depósitos em conta corrente. Constroe-se uma fortuna subjetiva.

Quando ocorre uma traição em um contexto assim, ela pode ser considerada como uma grande retirada, um saque gigante da conta corrente do amor. Porém os juros são altíssimos, tão altos que necessitam de empréstimos das contas pessoais (emocionalmente falando ok?!) e, em nossa sociedade monogâmica, poucos conseguem arcar com eles. Sem contar que o empréstimo nunca será devolvido (igual aquele dinheiro que você empresta para parente). Neste momento, quem traiu faz promessas, pede perdão e, por mais que tente se autoflagelar,  não consegue pagar pelo prejuízo do outro. Cada um com o seu.

Esse prejuízo pode se dar na forma de baixa autoestima, escravidão emocional do outro, sintomas psíquicos, alteração na dinâmica do relacionamento, entre tantas outras  formas.

O maior erro desse casal…

…é não sanar a raiz da traição e o que ela representou para o relacionamento. Ou seja, é fazer uma análise sobre a dinâmica pessoal do traidor (sim, a responsabilidade inicial é de quem trai) e da dinâmica do casal. Observe que quem foi traído participa dessa equação no quesito da dinâmica do casal. O traído pode ter a sua parcela de culpa sim (e geralmente tem em se tratando de relações funcionais), principalmente no que diz respeito a manutenção relacionamento.

O casal que negligencia isso e decide tocar a bola para frente praticando o perdão por si só, dificilmente vai encontrar uma dinâmica saudável dali para frente. Além da confiança ter sido abalada, que é uma das principais fontes de paz em uma relação, este casal corre um risco enorme de repetir os mesmos ciclos. Pode não culminar em uma traição novamente mas, absolutamente, a ferida na confiança será reaberta ou feita em outro ponto que antes era saudável. As rupturas vão ocorrendo como rachaduras em parede antiga.

Em um relacionamento saudável não deveria ter traição. Isso é fato! Mas para quem passou ou está passando por essa amarga experiência e deseja permanecer junto, ou pelo menos tentar ficar junto, a orientação é que  algo mude, nem que seja minimamente.

(Eu nem deveria escrever isso mas o óbvio, às vezes, precisa ser dito: ‘Pelamor’, tenha certeza que ambas as partes estão empenhadas. Não banque o ‘super salva pátria’ sozinho!)

Então, o que deve ser feito?

Elaborar um plano de ação apontando o que vai ser diferente dali pra frente:  como devem se  comunicar, onde cada um errou,  deixar as armas e acusações de lado e partir para o “mãos à obra”, dentre outras particularidades. Isso tudo com muita maturidade e responsabilidade afetiva.

Bora trabalhar para depositar mais ‘dinheiro’ na conta do amor  para tentar cobrir esse rombo. E sem dúvidas eu vou indicar que isso seja feito com auxílio de um psicólogo de casais, afinal, se é para tentar, que seja com as melhores estratégias existentes..

depositar mais 'dinheiro' na conta do amor 
Depositar mais dinheiro na conta do amor

 

Porém tenha em mente que esse conserto, esse ‘reset na relação’,  funciona uma ou no máximo duas vezes. Confiança é algo extremamente frágil em nossa psique.  Somos seres sociais e ser traído ou trair, mexe com as mais profundas das nossas estruturas emocionais. Fora isso, o mais indicado é aceitar que confiança não tem sete vidas , deixar o outro ser feliz em outra dinâmica ou seguir feliz com a sua (por mais que doa à primeira vista).

Acredite: um relacionamento doente, com a confiança avariada, vai refletir diretamente na sua qualidade de vida e na sua saúde. Não vale a pena! Ou você quer estar no Serasa da saúde emocional e do amor próprio, mendigando atenção, amor e carinho? Não, a conta não fecha. Seja inteligente e olhe com sobriedade para a sua realidade e seja muito feliz!

Tem mais assuntos como esse no meu canal do youtube e também no meu instagram @marcellepaganini. Bora seguir por lá também?

No mais, até o próximo texto!

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