25 maio

Vício em Pornografia: Como Funciona o Tratamento?

Eu sempre me deparo com essa questão no consultório e meu intuito com este texto é simplificar para você um assunto super denso. E, como em toda simplificação, algumas coisas ficarão aparentemente rasas.

Então, já te peço: se ficar alguma dúvida, pode me mandar uma mensagem! Estou presente nas principais redes sociais.

Afinal, Pornografia é Considerada um Vício?

Sobre o “vício” em conteúdo adulto, a verdade é que o termo não é aceito para efeito de tratamento de saúde. Ou seja: a pornografia não é classificada como um vício pelas ciências da saúde. E é essa ciência quem valida e cria os protocolos de tratamento aprovados.

Então, como eu — sendo uma psicóloga regulamentada — poderia tratar isso?

O primeiro passo é tirar a “capa” de vício. Tratamentos de vícios tradicionais possuem um kit de sintomas e tratamentos já validados. Para a pornografia, o buraco é mais embaixo.

Entendendo a Relação com o Conteúdo Adulto

Cada paciente apresenta uma relação muito variada com o uso de conteúdo adulto:

  • Compulsão: Alguns apresentam um comportamento compulsivo (onde já poderia entrar um tratamento validado e adaptado).
  • Alívio de Ansiedade: Outros usam a pornografia para cumprir a função de aliviar o excesso de ansiedade do dia a dia.
  • Ciclo de Culpa: Alguns recorrem ao uso por se sentirem muito “errados” em desejar demais, entrando em um uso desenfreado até sentirem que perderam o controle.
  • Hábito Prático: E há os que começaram apenas por curiosidade e, com o tempo, isso virou um hábito quase que religioso.

Eu poderia citar muitos casos nesses meus 11 anos atendendo a sexualidade humana. O que posso afirmar com segurança é que a pornografia é um preenchedor de lacunas muito versátil na vida das pessoas — e é exatamente por isso que ela é tão “demonizada”.

💡 Outro ponto importante: O que contribui para essa demonização é o fato de o sexo ainda ser um tabu quase inquebrável na sociedade e, infelizmente, usado muitas vezes para controle de massas (mas esse é um papo para outro momento, caso você queira).

Como Funciona o Tratamento na Prática?

O meu papel no consultório é entender qual buraco esse “vício” está tampando e, junto com o paciente, encontrar uma solução real.

A questão que eu acredito ser a mais “pesada” é que mudanças emocionais levam tempo. E elas precisam levar, caso contrário, não passam de um mero impulso passageiro.

O paciente que consegue vencer essa barreira junto com o seu psicólogo desfruta de uma sexualidade plena e livre de tabus — exatamente como deveria ser para todos. Mas a vida, como bem sabemos, não é um morango. 🟡

Quando é a Hora de Buscar Ajuda?

Se você sente que sofre com esse hábito, não deixe de procurar ajuda com um psicólogo especializado.

Além disso, se esse comportamento estiver fortemente associado ao ato de autoamar-se (a famosa masturbação), é provável que o seu corpo tenha se acostumado com um padrão de estímulo que o sexo natural não vai conseguir atingir.

Isso pode gerar alguns problemas específicos na sua vida íntima (posso falar sobre eles também no blog, basta me pedir!) e, nesses casos, faz-se necessária também uma avaliação com um fisioterapeuta pélvico.

Não Fique Refém: Procure Suporte

Não se preocupe, pois tudo isso a gente conversa com calma e acolhimento na terapia. Não fique refém desse ciclo e não jogue a sua vida íntima fora. Procure ajuda especializada.

Até o próximo texto! 👋

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